Ano C - Evangelho de Lucas (Parte 5)

A Misericórdia de Deus

Outra nota característica do terceiro evangelho é a misericórdia de Deus em favor do seu povo.

Maria o reconhece e proclama no seu cântico:

“Sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem” (1,50)

Deus está com os pobres e defende as pessoas privadas de seus direitos:

“Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa, manjedoura, porque não havia lugar para eles na sala” (2,7).

“E Deus não faria justiça a seus eleitos que clamam a ele dia e noite, mesmo que os faça esperar?” (18,7).

Nos seus ensinamentos, Jesus recomenda:

“Sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso”  (6,36).

E a misericórdia do Pai alcança sua maior expressão em Lucas, quando Jesus narra as chamadas “parábolas da misericórdia”: a ovelha e a moeda perdidas e reencontradas; o filho que se afasta do pai (e da família) e é resgatado com vida. Essas parábolas estão concentradas no capítulo 15, considerado o coração do evangelho de Lucas.

Numerosos outros episódios e parábolas peculiares a Lucas apresentam a amizade e a compaixão de Jesus para com os pescadores: a pecadora perdoada (7,36-50), Zaqueu (19,1-10) ,  a parábola do fariseu e do publicano (18,10-14). Própria de Lucas é a expressão: “Não vim chamar os justos, mas sim os pecadores à conversão” (5,32).

No relato dos milagres, Lucas ressalta a compaixão de Jesus para com os que sofrem: a ressurreição do filho da viúva de Naim (7,11-17) , a cura do hidrópico em dia de sábado (14,1-6), cura dos dez leprosos (17,11-19).

Para enfrentar os adversários, Jesus se posiciona não como um líder de guerrilha armada, mas apenas com as forças da alma e da bondade: acolhe Judas, o traidor (22,48); cura o homem ferido (22,51); fixa o olhar em Pedro que acaba de negá-lo (22,61); a caminho do Calvário, dá atenção às mulheres que se lamentam por ele (23,28-31); intercede por seus algozes (23,34); promete o céu ao bom ladrão (23,43).