Copiando o Retrato de Cristo

"revesti-vos do Senhor Jesus Cristo..." (Rm 13,14)

 


Tua tarefa, meu amigo, consiste em copiar um retrato. Tua felicidade presente e eterna depende disso.

Que retrato?

O meu.

Como?

Com tua vida.

Meu Pai deu-te a tela, os pincéis, as tintas, um lugar onde deves trabalhar e um assunto para reproduzires. A tela é a tua vida; os pincéis são teus pensamentos, as tuas palavras, as tuas ações; as tintas são as inspirações, as tentações, as provações e alegrias que encontras; o lugar de trabalho é a tua vocação; o assunto sou eu.

Organiza a tua vida de tal forma que quando meu Pai olhar para ti veja a minha imagem.

Deixa-me ajudar-te. Desejo que "te revistas do Cristo", para que eu viva em ti e tu vivas em mim, de forma a participares mais plenamente de minha natureza, como eu participei da tua.

Para te ajudar, tornei-me um ser humano, verdadeiro, do berço até a morte. Mostrei como Deus quer que a pessoa viva.

Esforça-te por praticar especialmente aquelas minhas virtudes que são mais necessárias ao teu estado de vida. É assim que "te revestirás de Cristo". É assim que me permitirás viver em ti mais plenamente.

Aprende tudo o que puderes a meu respeito. Familiariza-te com minha vida. Procura "ver-me" andando pelos caminhos e campos da Palestina, dois mil anos atrás. Sou verdadeiro homem e verdadeiro Deus e, por isso, posso ser um verdadeiro modelo para ti.

Meus discípulos me amaram, e eu os amei também. Sentiam-se à "vontade" comigo. Falávamos francamente. Pedro, às vezes, discutia comigo e Judas murmurava em minha presença. Traziam-se seus problemas para que eu os resolvesse.

Às vezes, eu os provava, para ver como reagiam, assim como faço contigo. Uma vez, atravessando o mar da Galiléia, adormeci na popa do barco, enquanto a tempestade rugia. Eles vieram a mim, sacudiram-me e gritaram, com um certo tom de repreensão: "Mestre, não te importa que pereçamo?" (Mc 4,38)

Eu acalmei os ventos e as ondas. Depois, disse-lhes: "Por que sois tímidos? Ainda não tendes fé?" (Mc 4,40 e Lc 8,25). Quantas vezes, quando duvidas ou desconfias de mim. Tenho tido a ocasião de ter dizer: "Onde está tua fé? Por que temes?"

Noutra ocasião, quando milhares de pessoas nos seguiram até o deserto e começou a ficar tarde, meus discípulos disseram: "Este é deserto e a hora é já adiantada. Despede-os, a fi de que, indo às aldeias e povoados próximos, comprem alguma coisa que comer" (Mc 6,35-36). "Não têm necessidade de ir", respondi com sua sinceridade muito característica: "Duzentos dinheiros (mais ou menos, uns cem mil cruzeiros) de pão não bastam para que cada um receba um pequeno bocado" (Jo 6,7). Perguntei se havia algum alimento por ali. E André adiantou: "Está aqui um jovem que tem cinco pães de cevada e dois peixes; mas que é isto para tanta gente?" (Jo 6,9).

Pedi que trouxessem os pães e os peixes e que mandassem o povo sentar-se. Eles distribuíram a comida, todos alimentaram-se e ainda sobrou o suficiente para encher doze cestos.

Quis provar a fé de meus discípulos. Eu sabia o que devia fazer. Muitas vezes também provo a tua fé, embora saiba perfeitamente o que devo fazer.

Estuda a minha vida e verás que eu sou um ser humano completo, real. Também verás que meus discípulos eram homens normais, levando vidas normais.

Medita sobre isto.

Lembras-te daquele pobre homem que jazia, há 38 anos, junto à piscina de Betsaida, e que eu curei? Compadeci-me dele, como te compadeces dos inválidos que encontras. Ele nem pediu que o curasse. Perguntei-lhe se queria ficar bom. E quando ele respondeu que não tinha quem o colocasse na piscina, eu o curei.

E aquela viúva, às portas da cidade de Naim, cujo filho morto ressuscitei? Também não me pediu. Meu coração se comoveu, como o teu se comoveria também.

E aquela mulher que era corcunda havia dezoito anos, sem poder olhar para o alto, e que eu curei?

E aquela outra que há doze anos sofria de uma hemorragia, e que tocando minhas vestes ficou curada?

Medita sobre Maria, marta e outros que estavam ao lado do túmulo de meu amigo. Lázaro a quem eu ressuscitei.

Sobre o homem que era cego desde o nascimento e ao qual eu restituí a vista. Sobre a filha de Jairo, a qual ressuscitei. Sobre o centurião pedindo-me por seu filho, a quem curei; aquele homem que tinha a mão paralítica e eu curei também; a sogra de Pedro, cuja febre fiz desaparecer; o servo do sumo sacerdote, cuja orelha Pedro cortara, no Getsêmani, e eu curei.

Medita sobre minha misericórdia para com os aflitos, como a adúltera, o paralítico e Maria Madalena.

Medita sobre minha indignação contra a hipocrisia e a injustiça.

Observa como conheço a multidão no deserto e providenciando vinho em Caná.

Observa como me junto a todas as classes de pessoas: participo de banquetes dos ricos fariseus e faço refeições com pecadores públicos.

Vê como peço pelos meus carrascos, enquanto me crucificam: "Pai, perdoa-lhes; eles não sabem oque fazem" (Lc 23,34)

Vê o que digo ao ladrão crucificado ao meu lado: "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43)

Medita sobre estas coisas e procura imitar minhas virtudes. São virtudes normais, de cada momento, com a paciência, a suavidade, a bondade, a misericórdia, o perdão, o amor.