No teu trabalho cotidiano

"Servi ao senhor em verdade e trabalhai por fazerdes o que for do seu agrado" (Tb 14,8).

 

Desejo que teus dias sejam cheios daquela alegrai e daquela paz que te deixei como herança.

Tua única preocupação deve ser fazer minha vontade, em cada momento e em todas as circunstâncias. Procede assim, e tudo o mais seguirá meu plano para tua felicidade presente e eterna.

Não fiques demasiado preocupado com o sucesso do teu trabalho de cada dia. Não temas o fracasso. Muitas vezes deixas de fazer o que devias, porque temes não seres capaz de o fazer conveniente.

Pergunta a ti mesmo: "O que Deus quer de mim?" Faze exatamente, isto, sem deixá-lo para outra ocasião. Não digo que não te prepares. Sabes perfeitamente a diferença entre preparar-se para alguma coisa e desistir. Lembra-te da palavra de Agostinho: "Deus prometeu o perdão de nossos erros, porém, não prometeu tempo para nossas desistências".

Não desejes fazer outra coisa a não ser o teu dever, em cada momento. Dize-me: "Senhor, aceito isto agora, porque é tua vontade".

Enfrenta o trabalho que temerias  sem o meu amor. Dar-te-ei a graça de te lembrares que não é necessário te angustiares nem te desgastares por causa de um horário. Ensinar-te-ei a sorrir e a viver sereno, a trabalhar tanto quanto podes, e a parar também, quando estás cansado.

Não quero que trabalhes tanto a ponto de te esgotares.

Trabalha com atenção e esforço, mas sem ansiedade. Podes ser esforçado e, ao mesmo tempo, tranquilo e sereno. Não podes ter paz nem, trabalhar direito, quando empreendes tuas obrigações inquieto e agitado.

Lembras-te de como repreendi Marta, em Betânia, por que ela se preocupava com muitas coisas? não a repreendi por estar ocupada, por ser diligente, mas por estar preocupada.

Prefiro que faças teu trabalho cotidiano sem agitação febril, antes até mesmo com um certo vagar. Não queiras fazer todas as coisas ao mesmo tempo. Fiz o dia com 24 horas, com tempo para trabalho e tempo para o repouso, e para fazeres o que deves, contanto que ordenes tua vida e procures somente minha vontade.

Presta atenção a estas palavra de um dos meus santos: "Imita as crianças: enquanto com uma mão seguram a do pai, com a outra vão colhendo cerejas ou amoras, ao longo do caminho. Tu, também, enquanto com uma mão te ocupas dos bens deste mundo, com a outra agarra-te ao Pai celeste, voltando-te para ele, de vez em quando, para ver se tuas ações lhe estão agradando... No meio dos negócios e ocupações do dia-a-dia, que não requerem uma atenção tão séria, deverias olhar mais para o Pai do que para elas. Quando são de tal importância que prendem toda a tua atenção para poderes realizá-las bem, então, de vez em quando, olha para o teu Deus... Assim ele trabalha contigo, em ti e por ti o teu trabalho será seguido de consolações" (São Francisco de Sales)

Mesmo que trabalhes com toda diligência, nem sempre será bem sucedido. Nem sempre teus melhores esforços serão reconhecidos por teus companheiros. Não te desencorajes com isto. Oferece-me tua natural decepção. Dize-me que ela é permitida por mim e que tu mesmo não a mudarias, se pudesses. Dize-me que a desejas, assim mesmo.Quando ofereces a mim  tuas decepções, sentes algo como quando pões um remédio numa ferida ou num corte. No começo dói, mas depois te sentes melhor.

Realiza plenamente teu dever do momento, por amor de meu Pai, do Espírito Santo e de mim mesmo. Não faças pela metade, dizendo para ti mesmo que, depois ou amanhã, o farás com mais perfeição. Fá-lo, agora, com toda perfeição de que és capaz,  por amor à Santíssima Trindade. Guiar o carro, dar um passeio, prepara uma refeição, estudar uma lição, receber uma repreensão, participar alegremente de um jogo ou fazer qualquer coisa plenamente, e porque tudo isso é minha vontade naquele momento, é o maior louvor que me podes oferecer.

Deitar-te à noite, quando preferias ficar acordado, e fazê-lo porque esta é minha vontade naquele momento, é melhor do que gastares a noite em oração, cansando-te e tornando difícil o teu trabalho, no dia seguinte.

É assim que eu quero que procedas em todas as tuas ocupações cotidianas. Pela manhã, faze um ato de confiança, de completo abandono à minha vontade, porque tudo que acontecer será por minha permissão. Lembrar-te de que cada momento é um "sacramento", é uma graça. Renova este abandono várias vezes durante o dia. Uma palavra, um olhar, para mim é o bastante.

Não faças  teu dever com pressa, mas com calma, com perseverança, sem nervosismo, sobretudo sem preocupação com aquilo que os outros pensam. Faze cada coisa a seu tempo e tudo , quanto possível, unicamente por meu amor.